Aécio Neves desmorona. STF afasta senador do seu mandato | Cenário do Tocantins, Notícias, Política, Economia, Agronegócio
Palmas-TO 19/10/2019
Aécio Neves desmorona. STF afasta senador do seu mandato
Correnteza de denúncias derruba Aécio Neves, que será afastado do mandato de Senador

Correnteza de denúncias derruba Aécio Neves, que será afastado do mandato de Senador

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou na manhã de hoje, quinta-feira (17), o afastamento de Aécio Neves (PSDB-MG) do mandato de senador e de Rocha Loures (PMDB-PR) do mandato de deputado federal.

Segundo relato do jornal O Globo, Aécio Neves teria sido gravado pelo dono da JBS, Joesley Batista, pedindo R$ 2 milhões, que seriam destinados a pagar despesas com sua defesa na Lava Jato.

De acordo com o jornal “O Globo”, Joesley e Aécio no Hotel Unique, em São Paulo, no dia 24 de março deste ano.

A alegação de Aécio, é que o dinheiro seria utilizado para pagar o advogado Alberto Toron, que faria sua defesa na Lava Jato. No entanto, segundo investigações da Polícia Federal, o dinheiro não chegou ao advogado.

Ainda segundo “O Globo”, o tucano e o empresário combinaram a entrega do dinheiro para alguém de confiança que seria nomindado por Aécio Neves.

“Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do caralho”, teria dito Aécio, segundo a delação.

De acordo com jornal, Fred é o apelido de Frederico Pacheco de Medeiros, primo do senador e ex-diretor da Cemig. Ele foi um dos coordenadores da campanha presidencial do tucano, em 2014. Já pelo lado da JBS, foi o diretor de relações institucionais, Ricardo Saud, quem levou o dinheiro destinado a Aécio, segundo Joesley. Foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma.

Ainda na afirmação do jornal, uma das entregas que foi filmada pela PF, Fred passa as malas para um secretário parlamentar do senador Perrella, chamado Mendherson Souza Lima. Mendherson seguiu com a propina para Belo Horizonte, seguido por policiais federais. As
investigações revelaram que o dinheiro foi parar na empresa Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários, de Gustavo Perrella, filho de Zeze Perrella.

As gravações sobre a denuncia de Aécio Neves pedindo dinheiro faz parte da proposta de delação dos empresários da JBS em conjunto com as “supostas” gravações que também incriminam o presidente Michel Temer, ao afirmar que este teria combinado com os empresários repassar uma mesada para silencia o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que está preso desde outubro de 2016 em Curitiba pela Polícia Federal, na operação Lava Jato.

Mais acusações contra Aécio Neves

O senador afastado Aécio Neves é citado também nas delações de Marcelo Odebrecht e nas dos executivos da construtora Benedicto Júnior, Claudio Melo Filho, Henrique Valladares e, Sérgio Luiz Neves.

Na época da delação da Odebrecht, o senador afirmou em nota que considera importante o fim do sigilo sobre o conteúdo das delações. “Assim será possível desmascarar as mentiras e demonstrar a absoluta correção de sua conduta.” Anteriormente o senador já havia dito que, ao fim das investigações, sua inocência ficará provada.

Segundo Sérgio Luiz Neves, então diretor superintendente da Construtora Norberto Odebrecht (CNO) em Minas, em 2007 ele organizou esquema para fraudar a licitação da Cidade Administrativa de Minas em troca de propina. Só da Odebrecht, Aécio recebeu cerca de R$ 5,2 milhões pelo lote dois do empreendimento, conforme o delator.

Henrique Valladares, ex-responsável pela Odebrecht Energia, disse que, em 2008, ex-executivos da empresa pagaram vantagens indevidas para Aécio e o PSDB em troca de ajuda nos empreendimentos do Rio Madeira (as usinas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau). O total chegaria a R$ 50 milhões, R$ 30 milhões da Odebrecht e R$ 20 milhões da Andrade Gutierrez, sendo que a maioria dos pagamentos foi feita no exterior, conforme o delator.

Anastasia e Aécio. Nomes são citados nas delações contra Aécio que pedia dinheiro para a campanha do "camarada"

Anastasia e Aécio. Nomes são citados nas delações contra Aécio que pedia dinheiro para a campanha do “camarada”

O ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura Benedicto Júnior, o BJ, disse que acertou com Aécio, de 2009 a 2010, o pagamento de R$ 7,275 milhões via caixa dois para a candidatura de Antonio Anastasia (PSDBMG) ao governo de Minas. Anastasia foi o mesmo que fez relatório favorável ao impeachmant da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016.

Na campanha de 2014, Aécio pediu contribuições para a campanha dele, de Anastasia e aliados no valor total de R$ 6 milhões, conforme relatou BJ.

Há outro inquérito sobre repasses feitos em 2014, todos para a campanha de Aécio à Presidência. Um dos acertos era o pagamento de R$ 6 milhões, dos quais Aécio recebeu R$ 3 milhões, segundo Sérgio Luiz Neves. Os delatores divergem sobre os valores que efetivamente foram pagos a Aécio, mas Marcelo Odebrecht afirmou que houve uma doação oficial para sua campanha à Presidência de cerca de R$ 5 milhões.

Irmã de Aécio também é presa

Outra pessoa ligada ao Senador Aécio Neves também foi presa na manhã de hoje (18). Andrea Neves, irmã de Aécio Neves, foi presa pela Polícia Federal (PF) em Nova Lima, em Belo Horizonte. Desde as 5h30 desta quinta-feira, a PF e o Ministério Público Federal cumprem mandados de busca e apreensão nas residências do senador.

Há ações em três capitais brasileiras. Os policiais se dirigiram para endereços do senador no Lago Sul, em Brasília; no bairro Anchieta, em Belo Horizonte; e em Ipanema, no Rio, além de seu gabinete no Congresso Nacional, em Brasília.

Também há mandados de busca no gabinete de Loures e do senador Zezé Perrela (PSDB-MG), cuja empresa foi citada na delação como destino final do dinheiro.

São ainda cumpridos mandados nos apartamentos de Andrea Neves, em Copacabana, no Rio; e de Altair Alves, conhecido por ser braço direito do deputado Eduardo Cunha, localizada na Tijuca, também no Rio.

A ação teve autorização do STF e da Procuradoria-Geral da União (PGR). Ainda não há informações sobre onde o senador se encontra.



Indique esta Matéria para um Amigo Indique esta Matéria para um Amigo

Nenhum comentário Quero comentar!

No comments yet.

Leave a comment

Você precisa fazer o login para publicar um comentário.

Sérgio A. de Oliveira.
Rua 100, Nº 49 Qd. F17 Lt 01- Fone: (62) 98667-5775 / (62) 3255-8184 redacao@cenariotocantins.com.br - Goiânia - Goiás