Palmas-TO 14/08/2018
Aumento no número de empréstimos mostra fragilidade da economia

O aumento no número de contratos financeiros, na modalidade crédito, gera uma preocupação no mercado e na economia brasileira. Mais famílias estão contraíndo dívidas e compromentendo o orçamento familiar.

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Embora as instituições financeiras, maiores beneficiadas com o aumento no número de financiamentos concedidos, estejam comemorando os números, essa comemoração poderá se tornar um pesadelo, pelo menos para quem terá que pagar os empréstimos no dia-a-dia e no futuro.

 

Segundo informações, a novas dívidas tem sido feitas para pagar dívidas já contraídas e ou parcelar os gastos do dia a dia tem sido. Esse comportamento começa a se consolidar entre as pessoas físicas diante da persistência da crise no mercado de trabalho desde de 2017, e que perdura ainda este ano com força total.

Economiastas, instituições financeiras e o governo traçam uma relação de causalidade entre o aumento de oferta de crédito e o crescimento do consumo. No entanto, essa relação é relativa e merece todo o cuidado, pois pesquisas têm mostrado indícios de que a intenção de compra passa a dar lugar a outros objetivos na retomada de endividamento das famílias.

Os números do Banco Central (BC) sobre crédito bancário mostram que a taxa de endividamento das famílias, sem considerar o financiamento habitacional, teve comportamento decrescente ao longo de 2017. No entanto, o cenário muda a partir de janeiro deste ano, quando o indicador voltou a crescer todo mês e, em maio – último dado conhecido -, atingiu 23,3% da renda acumulada em 12 meses, maior patamar em 14 meses, afirma o jonral Valor.

Consumo, mais dívidas

Apesar do consistente aumento de número de pessoas físicas endividadas das pessoas neste ano, a pesquisa mensal do comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra um comportamento mais errático no volume de vendas do varejo.

O levantamento mais recente mostra que, na comparação com o mês anterior, março registrou subida de 1%, enquanto abril teve crescimento de 0,7%, mas maio apresentou recuo de 0,6%, provavelmente impactado pela greve dos caminhoneiros.

Na comparação com o mesmo período de 2017, a expansão se mostra mais consistente, com altas de, respectivamente, 8%, 0,6% e 2,7%. Esse avanço, porém, revela-se concentrado em itens do dia a dia.

Gastos com supermercados, alimentos e bebidas, por exemplo, representaram o maior peso desse crescimento, com subidas de 15,4%, em março, 0,1%, em abril, e 8%, em maio.

Em seguida aparecem as despesas com artigos de uso pessoal e domésticos, com expansão de 13,9%, queda de 0,1% e alta de 6,0% na mesma base de comparação.

Bens de consumo duráveis, como móveis e eletrodomésticos, que costumam acompanhar a melhora da renda, do emprego e da economia, patinaram no período. Em março, o volume de vendas desse grupo caiu 3,2% na comparação anual. No mês seguinte, houve subida de 5,5%, mas, em maio, ocorreu nova queda de 6,1%.

Uma pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) ilustra esse lado sombrio do uso do crédito devido ao aperto financeiro.

Segundo levantamento feito em julho, quase metade (46%) das pessoas que usaram cheque especial, uma das modalidades de empréstimos mais caras do mercado, nos últimos 12 meses utilizaram a linha todos os meses.

Entre as razões citadas, figuram quitar dívidas, cobrir gastos de emergência e amenizar o descontrole das contas. Outro levantamento do SPC revela ainda que 20% dos usuários enxergam o cartão de crédito como extensão da própria renda.

Mercado de trabalho capenga

As finanças das famílias têm sido comprometida, principalmente devido ao fato de que o mercado de trabalho é refém do ambiente político. Com isso, não está ocorrendo a recuperação do emprego conforme fora prometido, mesmo com as reformas trabalhidas. Pelo contrário, o que está ocorrendo é um aumento concentrada em vagas informais, o que não dá garantias às famílias de um rendimento fixo.

Os números evidenciam o aumento do desemprego no Brasil e o aumento da informalidade. A última pesquisa nacional por amostra de domicílio contínua mensal do IBGE (PNAD) indica que, no trimestre encerrado em maio, o desemprego alcançava 12,7%, o que representa 13,2 milhões de pessoas sem trabalho. No período, a informalidade cresceu 2,9% ante o trimestre anterior, e subiu 5,7%, quando comparada ao mesmo período do ano passado. Na comparação anual, a taxa de informalidade cresce continuamente desde a metade de 2016.

De acordo com a economista-chefe do SPC, Marcela Kawauti, em entrevista ao jornal Valor, se incluir nos cálculos os os trabalhadores subutilizados e aqueles que desistiram de procurar emprego, o número aumenta ainda mais, chegando a 25 milhões de brasileiras desempregados.

“Se além do desemprego clássico, incluirmos os trabalhadores subutilizados, ou seja, aqueles que trabalham menos horas do que gostariam, e quem desistiu de procurar emprego, o número atinge 25 milhões de brasileiros, ou seja, um em cada quatro pessoas em idade ativa”.

O aumento da informalidade tem sido sentida pela plataforma de crédito digital Simplic, especializada em empréstimo para pessoas negativadas ou sem comprovação de renda, de acordo com o jornal Valor.

A participação de autônomos e trabalhadores informais na base de clientes da empresa da Simplic cresceu 72% no primeiro semestre. A empresa, que conta com 2 milhões de pessoas, registrou ainda aumento de 82% no número de solicitações de empréstimos no período, se comparado com o mesmo período do ano passado.

 

 

Confiança do consumidor

 

A perspectiva de retomada mais lenta do que o esperado da economia e do emprego já começa a se refletir nos sinais de confiança do consumidor. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Federação do Comércio de São Paulo (FecomercioSP), registra em julho a quarta queda consecutiva. No mês, o indicador atingiu os 86,2 pontos, recuo de 3,9% na comparação com junho.

Conforme a FecomercioSP, os sete itens que compõem o ICF caíram em relação a junho, situação que não ocorria desde maio de 2016, no auge da crise do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef. A maioria dos entrevistados, 54,1%, aponta estar consumindo menos do que há um ano.

“Essa sequência negativa, que se iniciou em abril, evidencia a deterioração das condições econômicas das famílias”, diz Altamiro Carvalho, assessor econômico da entidade.

Outro referencial, o Índice de Confiança do Comércio (Icom) da Fundação Getulio Vargas (FGV), caiu 0,8 ponto percentual em julho, para 88,8 pontos, no menor nível desde agosto de 2017 e também na quarta queda consecutiva. “A avaliação desfavorável sobre a demanda e a vagarosa retomada do mercado de trabalho contribuíram para a piora da percepção”, avalia Rodolpho Tobler, coordenador da sondagem da FGV-Ibre. (Com informaões Valor.com.br/Foto: Divulgação)

Publicada em 30/07/2018



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