Econista diz que Meirelles não faz nada novo e Brasil precisa baixar juros | Cenário do Tocantins, Notícias, Política, Economia, Agronegócio
Palmas-TO 20/04/2019
Econista diz que Meirelles não faz nada novo e Brasil precisa baixar juros
Para economista, as ações de Henrique Meirelles são continuidades das já implementadas por Nelson Barbosa

Para economista, as ações de Henrique Meirelles são continuidades das já implementadas por Nelson Barbosa

O Vice-presidente do banco dos Brics, Paulo Nogueira Jr., avalia que o governo interino de Michel Temer não tem nova orientação econômica. Nogueira considera que o governo interino ainda não tem condições políticas de implementar um programa e pensa que as ideias do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para controlar os gastos são basicamente as mesmas do antecessor, Nelson Barbosa, no governo Dilma Rousseff.

Nogueira Batista foi representante do Brasil no FMI durante oito anos, entre os governos Lula e Dilma, e participou de todas as reuniões do G-20 como membro da delegação brasileira.

Na entrevista concedida ao jornal o Valor, Nogueira deixa bem claro que fala em nome pessoal, e não do banco. Ele comenta sobre o que seria um programa fiscal crível, alerta para se evitar nova valorização do real e defende corte mais rápido dos juros, mas sem artificialismo, como tem sido praxe dos governos neo-liberal.

Nogueira falou sobre a economia global, alegando que este é um momento dificil para todos os países, já que há um cenário de estagnação, desemprego alto em diversos países e problemas financeiros em várias economias importantes no mundo.

“É um quadro muito difícil. Não é de crise aguda, como em 2008/2009, mas é um cenário de estagnação, desemprego muito alto em diversos países, problemas financeiros em várias economias importantes, que podem ser tornar graves e sistêmicos, e insatisfação crescente das populações dos países avançados com suas elites”.

O vice-presidente do Brics afirma que há uma percepção de que a renda está se concentrando nas mãos de poucos e isso está causando insatisfação na maioria. Esse fato está levando a uma instabilidade política em vários países do mundo.

“A percepção é que a renda está se concentrando, que as elites não são confiáveis. Isso se manifesta no Brexit, na ascensão da candidatura de Donald Trump nos EUA, na ascensão de populistas de direita conservadores na Europa. E aí começa a busca aos bodes expiatórios – o migrante, o comércio internacional, os bancos – e acaba levando a uma instabilidade política, que atrasa ainda mais a reforma estrutural. Não vejo solução clara no horizonte”, disse Nogueira.

Até mesmo a China está passando por problemas, segundo a análise de Nogueira, que fala da existência de uma incerteza sobre a economia do país, principalmente, com relação à sustentatabilidade da dívida privada, sobretudo das corporações.

“Mesmo a China está numa fase mais difícil, porque há incertezas sobre a economia, dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida privada, sobretudo das corporações. O desafio da China é completar uma transição que está em curso, com mais participação de serviços e menos manufatura, e aumento do consumo. Têm muitos instrumentos e estão usando. Têm espaço de manobra na area monetária, têm espaço fiscal, reservas internacionais gigantescas. Os chineses estão trabalhando para evitar que a aterrissagem forçada se materialize”, disse.

 

Nogueira aponta que um dos principais problemas brasileiro é a instabilidade política. Segundo ele, o problema fiscal foi agravado pela recessão que o mundo passa, e consequentemente, o Brasil. A solução já vinha sendo adotada pelo ex-ministro Nelson Barbosa e agora tem a continuidade do novo ministro da Fazendo, Henrique Meirelles. Para Nogueira, o atual ministro da Fazenda não está fazendo nada de diferente do seu antecessor.

“O Brasil tem um problema fiscal, que foi se agravando, em parte pela própria recessão, e um componente estrutural que precisa ser enfrentado. O ideal, na minha opinião, é aquilo que o ministro Nelson Barbosa vinha tentando e o ministro Meirelles continua agora. É anunciar um programa de médio e longo prazo crível, para não ter de tomar medidas de curto prazo muito fortes que possam aprofundar a recessão, que já é grave”, disse.

O vice-presidente do banco do Brics afirma que o governo precisa rever e baixar a taxa de juros. No entanto, a baixa dos juros deve ser combinado com uma política fiscal sólida e não apenas da boca pra fora, como tem sido feita atualmente. Para Nogueira, a baixa dos juros vai ajudar a reativar a economia do país. Ele evidencia que um dos principais problemas do desequilíbrio fiscal brasileiro é a taxa de juros, que mais beneficia a bancos do que os cidadãos, empresários e o próprio governo.

“Se esse programa fiscal crível for feito, abre espaço para algo essencial também, que é baixar a taxa de juro, combinando uma política fiscal sólida com uma política monetária mais branda. A baixa da taxa de juros vai ajudar a reativar a economia. Um componente importante do desequilíbrio fiscal brasileiro é a taxa de juro”.

Nogueira aponta a necessidade do governo brasileiro implementar um programa fiscal crível para restabelecer a confiança nos empresários e também no cidadão.

“Se o Brasil conseguir fazer o programa fiscal crível e isso restabelecer um pouco a confiança, o risco é que o real volte a se valorizar demais, dependendo das condições internacionais. Então, a redução da taxa de juro cumpre outro papel, ajuda a frear a valorização do real”, disse Nogueira. (Com informações do jornal Valor/Foto: Divulgação)



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Sérgio A. de Oliveira.
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