Empresa de suposto sócio do bicheiro Cachoeira faturou R$ 234 milhões nos governos Marcelo, Gaguim e Siqueira | Cenário do Tocantins, Notícias, Política, Economia, Agronegócio
Palmas-TO 19/10/2019
Empresa de suposto sócio do bicheiro Cachoeira faturou R$ 234 milhões nos governos Marcelo, Gaguim e Siqueira

Os levantamentos mostram, cada dia mais, que as raízes no Tocantins dos grupos supostamente ligados ao contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, são maiores e mais antigas do que se pensa.

Um dos homens apontados pela Polícia Federal em um dos inquéritos da Operação Monte Carlo como sócio do bicheiro, o empresário Rossine Aires Guimarães, 48 anos, fatura milhões de reais desde o governo Marcelo Miranda (PMDB) – 2003-2006/2007-2009 – passando pelo governo Carlos Gaguim (PMDB) – que é sócio de Rossine em uma empresa – e pelo atual governo Siqueira Campos (PSDB).

No total, o empresário, e possível sócio de Cachoeira, faturou com obras, só nos últimos governos, R$ 234.444.617,62.

O levantamento divulgado nesta quarta-feira, 11, pelo Jornal do Tocantins, se refere a pagamentos feitos pelo Estado para a Construtora Rio Tocantins (CRT), que também tem o nome de Construtora Vale do Lontra. Rossine possui 82% das ações da empreiteira, conforme o impresso. A empresa presta serviços de construção e conservação de estradas, além de construir moradias.

Do total de pagamentos feitos à empreiteira, a gestão do ex-governador Marcelo Miranda, em 21 meses, desembolsou para a a empresa de Rossine R$ 74,7 milhões; em apenas 15 meses de administração, Gaguim superou os outros dois governantes e pagou ao suposto sócio de Cachoeira R$ 140,6 milhões; e, em 2011, o governo de Siqueira Campos (PSDB) pagou R$ 19,1 milhões.

Responsável por quase 60% dos pagamentos à CRT, Gaguim é sócio de Rossine na BPR Empreendimentos Imobiliários. Conforme o JTo, o ex-governador possui 50% das ações da Espaço Participações, detentora de 25% da BPR Empreedimentos. O percentual de Rossine na BPR também é 25%. Conforme a planilha que a jornal teve acesso, entre os pagamentos do governo Gaguim à CRT está um de R$ 36,2 milhões feito em apenas um dia, em dia 31 de dezembro de 2009.

Além da BPR, a Espaço Participações, criada em novembro de 2009, possui cotas em mais sete empresas, sendo seis do ramo imobiliário e um posto de combustível.

Segundo a PF, a CRT é citada em várias ligações interceptadas e que Cachoeira teria forte influência na construtora, inclusive sendo utilizada para negociar licitações favoráveis à Delta. Uma conversa, de 14 de junho de 2011, Gleyb Ferreira da Cruz, braço-direito da quadrilha, pergunta a Cachoeira se deve fechar um negócio pela Delta ou pela CRT. Cachoeira orienta que seja usada a empresa de Rossine.

Ainda de acordo com o jornal, a PF, em um dos relatórios, descreve Rossine como um financiador de campanhas políticas e que possui diversos contratos com a administração pública. Rossine também é citado como sócio, junto com Cláudio Abreu (diretor afastado da Delta Construções) e Cachoeira, na empresa Ideal Segurança, que seria usada para lavagem de dinheiro da máfia dos caça-níqueis.

Eleições
Rossine doou, em seu nome, R$ 3,5 milhões para a campanha eleitoral no Tocantins, sendo R$ 3 milhões para Siqueira [doados após a campanha eleitoral] e R$ 500 mil para Gaguim. Ao mesmo tempo, a CRT também fez doações. A empreiteira aportou R$ 500 mil para a campanha de Gaguim, R$ 162 mil para a campanha do candidato a senador Marcelo Miranda (PMDB) e R$ 50 mil para o candidato a deputado federal Júnior Coimbra (PMDB).

Outra empresa ligada ao grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira também doou recursos para a campanha eleitoral do Tocantins. A empreiteira JM Terraplenagem e Construção doou R$ 500 mil para a campanha de Siqueira Campos.

Conforme o próprio secretário estadual de Relações Institucionais, Eduardo Siqueira Campos, disse em entrevista a uma emissora de TV, a doação ocorreu no dia 27 de outubro de 2010. Segundo ele, essa empreiteira não teria contratos com o Estado.

Numa conversa telefônica interceptada pela PF, Cachoeira chegou a cobrar do diretor afastado da Delta Cláudio Abreu a devolução desses R$ 500 mil, mas depois lembrou que o dinheiro seria pago com “aquele trem lá”. O bicheiro estaria supostamente se referindo ao serviço de inspeção veicular do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), que, conforme Abreu, seria repassado pelo Estado ao grupo de Cachoeira. (CT)



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Sérgio A. de Oliveira.
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