Gravação mostra conversa entre Cachoeira e Marconi | Cenário do Tocantins, Notícias, Política, Economia, Agronegócio
Palmas-TO 19/10/2019
Gravação mostra conversa entre Cachoeira e Marconi

Inquérito que tramita no STF vaza e aponta diálogo em que governador parabeniza o empresário

O inquérito 3.430, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar as ligações entre o senador Demóstenes Torres (sem partido) e o empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, vazou ontem na internet, no mesmo dia em que o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, autorizou que a CPI Mista do Cachoeira, no Congresso Nacional, o Conselho de Ética do Senado e a Comissão de Sindicância da Câmara extraíssem cópias integrais do documento. No inquérito que está na internet aparece, entre as 1,7 mil páginas, conversa entre o governador Marconi Perillo e Cachoeira, ocorrida no dia 3 de maio, na qual o governador parabeniza o empresário pelo aniversário.

“Rapaz, faz festa e não chama os amigos?”, diz o governador (veja a transcrição na íntegra ao lado). Em seguida, Marconi deseja parabéns e Cachoeira agradece: “Obrigado pela lembrança, viu, governador.” A conversa dura 53 segundos e foi interceptada pela Polícia Federal, com autorização da Justiça. Ocorreu às 20h49. O governador encerra o diálogo dizendo que combinaria com o então presidente do Detran, Edivaldo Cardoso, uma conversa com o empresário.

Dois dias depois o governador se reuniu com Cachoeira e com Edivaldo em um jantar na casa do senador Demóstenes Torres. A PF interceptou conversas nas quais Cachoeira fala com interlocutores combinando detalhes para este encontro. Um dia antes do jantar, Wladmir pede a Cachoeira por telefone para que fale sobre uma negociação envolvendo a Delta Construções. “Dá um toque no chefe aí, ó tá dando esse probleminha lá tal… é a Delta que tem de ser líder do contrato, né?”, diz, conforme transcrição feita pela PF.

No dia 6 de maio, ainda pela manhã, Edivaldo avisa a Cachoeira que Marconi telefonou às 7h20 da manhã para saber o que o grupo achou do jantar. “Foi excelente, né? Muito bom tá, na nossa né?”, pergunta Cachoeira a Edivaldo. “Ah, total. Fantástico. Me ligou hoje sete e vinte, perguntando o quê que vocês tinham achado, se vocês tinham gostado”, responde Edivaldo.

No relatório feito pela Polícia Federal consta que apenas um diálogo entre Cachoeira e Marconi foi identificado durante as investigações. O inquérito ressalta que os contatos em que o governador é citado “demonstram claramente o envolvimento de Cachoeira com o governo do Estado de Goiás, dando a entender que Cachoeira teria influência em algumas decisões tomadas pelo governo”.

“Há diversos áudios que indicam o envio de recados, tanto da parte do governador para Carlinhos, quanto o inverso, sendo o senador Demóstenes Torres, Edivaldo Cardoso e Wladmir Garcêz os principais emissários destes recados. Pelo teor dos diálogos interceptados, percebe-se também que o Detran/GO faria parte de uma espécie de ‘cota’ política de Cachoeira”, informa o relatório que consta no volume 7 do apenso 1 do inquérito 3.430.

No mesmo volume também constam mais diálogos ocorridos em 10 de junho de 2011, quando o ex-vereador Wladmir Garcêz, braço direito de Cachoeira, estaria no Palácio Pedro Ludovico aguardando uma caixa com volume elevado de dinheiro para entregar a alguém no local. Parte dos diálogos havia vazado na internet, conforme O POPULAR noticiou ontem. No inquérito é possível ver trechos dos áudios não divulgados, na qual Cachoeira dá a entender que o encontro não ocorreu e que o dinheiro voltou para sua casa. O pacote seria entregue para uma pessoa identificada como Lúcio, ou por intermédio dele.

Ainda de acordo com o relatório da PF, de novembro de 2011 e no qual aparecem outros nomes do governo estadual como o ex-procurador geral do Estado, Ronald Bicca, é dito que a relação do governador com Cachoeira é “passível de censura” considerando critérios éticos, mas “não autoriza por si só a presunção de que o governador esteja envolvido na prática de quaisquer condutas criminosas”.

Entretanto, acrescenta no final que “há elementos suficientes que ensejariam, em tese, o início de outras investigações após a devida autorização do juízo competente”.

OUTRO LADO

A assessoria de imprensa do governador informou, por telefone, que o governador cumprimenta de 30 a 40 lideranças de vários tipos, classistas, sindicais e religiosas todos os dias e sempre tem um tratamento carinhoso com elas. Disse também que a ligação feita a Edivaldo no dia seguinte ao jantar se deve ao fato de o governador sempre tratar de forma carinhosa a todos.

Por meio de nota, a assessoria disse que Marconi já havia comentado sobre o encontro com Cachoeira e que o jantar foi sugerido por Edivaldo, com a presença de outros convidados. Neste encontro, Cachoeira teria tratado de assuntos relativos à empresa Vitapan. Neste jantar, segundo a nota, “o governador reiterou que qualquer demanda relativa ao assunto deveria ser encaminhada à Secretaria de Indústria e Comércio”.

“É somente a isso a que essas gravações se referem. À exceção dessa questão, o então presidente do Detran nunca tratou com o governador de outros temas de interesse do senhor Carlos Ramos”, encerra a nota. (O Popular)



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1 comentário Quero comentar!

  • não acho justo só cachoeira preso, estes políticos que se acham tão espertos deverão eexperimentar um pouco do xadrez, porque eles é que deram forças para cachoeira seguir com seus planos, até que foi inteligente,mas a máscara dos outros deverão cair e para isso abra a boca cachoeira… não fique com essa carga sozinho, não queira ser herói , tem muita gente que hoje te renega ,mas aproveitou muita tempo, então vá e fale tudo é hora de lavar a alma………..

    Comentário de joana — 4 de maio de 2012 @ 20:07

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Sérgio A. de Oliveira.
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