José Yunes pede demissão. Os próximos poderão ser Moreira Franco e Eliseu Padilha | Cenário do Tocantins, Notícias, Política, Economia, Agronegócio
Palmas-TO 19/10/2019
José Yunes pede demissão. Os próximos poderão ser Moreira Franco e Eliseu Padilha
Michel Temer e José Yunes

Michel Temer e José Yunes

A delação da Odebrecht provocou a primeira queda dentro do governo Michel Temer. Acusado por um delator da Odebrecht de receber recursos em seu escritório em São Paulo em 2014, o assessor especial da Presidência da República, José Yunes, pediu demissão nesta quarta (14).

De acordo com o jornal Folha S. Paulo, Yunes entregou a carta de demissão ao presidente Michel Temer no início desta tarde e segundo ele, é de caráter irrevogável. Ele era um dos amigos mais próximos de Temer e nega ter recebido o dinheiro da Odebrecht.

O nome de Yunes aparece no acordo de delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht, que afirmou, na sua delação, que parte de R$ 10 milhões repassados ao PMDB para a campanha de 2014 foi entregue no escritório de Yunes em São Paulo.

“Um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia do sr. José Yunes, hoje assessor especial da Presidência da República”, diz trecho do documento.

O ex-assessor de Temer afirma que nunca conversou com Cláudio Melo e disse que não participava de arrecadação de recursos para o hoje presidente.

Além de Geddel Vieira Lima, que pediu demissão da Secretária de Governo após escândalo que vinculava seu nome a um empreendimento imobiliário de luxo em Salvador, Temer pode perder mais um ministro nos próximos dias.

De acordo com a Folha S. Paulo, circularam informações, em Brasília, de que o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e o secretário-executivo do Programa de Parcerias de Investimentos, Moreira Franco, também teriam entregue carta de demissão. Os dois, porém, negaram a informação e disseram que seguem em seus cargos.

Quanto à citação do seu nome na delação de Cláudio Melo, ex-diretor da Odebrecht, Moreira Franco afirmou que as acusações contra ele não procedem. Moreira Franco afrimou à Folha de S. Paulo que ele não recebeu dinheiro da empreiteira em troca de favores no governo.

A assessoria de Eliseu Padilha, também citado na delação de Cláudio Melo, negou que ele esteja de saída do governo e afirmou que o ministro nega ter recebido qualquer dinheiro irregular da empreiteira.

De acordo com o jornal, a saída de Yunes deve-se ao temor do presidente de que acusações mais graves contra o assessor presidencial sejam reveladas em delações premiadas de outros executivos da empreiteira. O Palácio do Planalto tem a informação de que teriam sido entregues à Polícia Federal novas evidências contra ele.

Minutos após Yunes pedir demissão, o presidente convocou uma reunião no Palácio do Planalto para tratar dos desdobramentos da crise, com presença de Moreira Franco e do líder do governo no Congresso, Romero Jucá (PMDB-RR). O ministro Padilha também deve participar do encontro.

Na carta de demissão, Yunes afirma que a decisão teve como objetivo preservar sua dignidade. Segundo ele, seu nome foi jogado “no lamaçal de uma abjeta delação” premiada.

“Não posso ver meu nome enxovalhado por irresponsáveis denúncias de figurantes com quem nunca tive qualquer contato direto ou por terceiros”, disse.

No texto, ele lembra sua longa amizade com o presidente que, segundo ele, os une desde “os heroicos tempos nas Arcadas do Largo de São Francisco”, onde os dois estudaram na capital paulista.

DINHEIRO

Segundo o delator da Odebrecht, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, apelidado de “primo” pela empresa, foi quem orientou a distribuição de pelo menos R$ 4 milhões dos R$ 10 milhões, acertados em um jantar no Palácio do Jaburu, em maio de 2014, que contou com a presença de Temer e de Marcelo Odebrecht, herdeiro do grupo e preso em Curitiba.

Foi Eliseu Padilha, inclusive, segundo os termos da delação, que pediu para que parte dos recursos fosse entregue no escritório de Yunes, em São Paulo.

Melo não apontou quem teria recebido o dinheiro entregue no escritório de Yunes em São Paulo.

Segundo ele, R$ 6 milhões dos R$ 10 milhões foram para a campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo, em 2014.

(Com informações da Folha de S. Paulo/Foto: Divulgação)

Publicada em 14/12/2016



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