Missão: acabar a corrupção na Petrobras. Agora é preso por pedir propina | Cenário do Tocantins, Notícias, Política, Economia, Agronegócio
Palmas-TO 19/10/2019
Missão: acabar a corrupção na Petrobras. Agora é preso por pedir propina
Bendine assumiu a presidência da Petrobras para estancar a corrupção que assolava a empresa. Agora é preso por ter pedido propina para a Odebrecht

Bendine assumiu a presidência da Petrobras para estancar a corrupção que assolava a empresa. Agora é preso por ter pedido propina para a Odebrecht

A polícia Federal prendeu na manhã de hoje, quinta-feira (27), o ex-presidente do Banco do Brasil e ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine. A prisão faz parte da 42ª fase da Lava Lato, batizada de Operação Cobra.

Bendine foi detido em Sorocaba, no interior paulista. Além dele, foram alvos de mandados de prisão temporária André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Jr., suspeitos de serem operadores do executivo, que foi presidente da Petrobras entre os anos de 2015 e 2016.

Suspeito de ter recebido R$ 3 milhões em propina da empreiteira Odebrecht, entre junho e julho de 2015, de acordo com a Folha de S. Paulo, Bandine havia pedido o dinheiro como justificativa para proteger a empreiteira em contratos com a estatal, inclusive em relação às consequências da Operação Lava Jato.

O que mais chama a atenção é o fato de que Bandine foi presidente justamente no auge das investigação da Operação Lava Jato nos rombos causados pela corrupção na Petrobrás. A continuidade da prática ilicita mostra que algumas pessoas acham-se intocáveis pela justiça e que nunca serão pegos com a boca na botija.

Durante a coletiva com a impresna para maiores informações sobre a operação e prisão o Procurador da República,  Athayde Ribeiro Costa, disse ter ficado estarrecido com a prática criminosa de Bendine, pois foi justamente nomeado para estancar a corrupção na Petrobras.

“É assustador que, naquela altura do campeonato, uma pessoa nomeada para estancar a corrupção na Petrobras tenha tido a audácia de fazer isso”, declarou o procurador.

O sentimento de ser intocável é mostrado logo no ínicio de sua gestão como presidente da petroleira. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, Bendine pediu  propina pouco depois de sua posse, informação está que está na delação de executivos da Odebrecht, e foi relatado pelo ex-presidente da empreiteira Marcelo Odebrecht e pelo diretor da Odebrecht Ambiental, Fernando Reis.

As delações do empreiteiro e diretor da Odebrecht foi homologado no início do ano, pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

Em sua delação Marcelo Odebrecht fala da importância que Bendine acha ter como presidente da Petrobras. “Ele adquiriu uma importância. Veja bem, ele tinha sido já nomeado interlocutor para, entre aspas, tentar resolver os problemas financeiros da Lava Jato”, afirmou Marcelo Odebrecht, na delação. “Imagine a situação.”

Segundo o executivo, Bendine “se colocava como a pessoa que o governo tinha escolhido a interagir com as empresas para resolver esses problemas [impactos da Lava Jato nas obras e contratos federais]”.

ACHAQUE

Marcelo Odebrecht, que diz ter se reunido duas vezes com o ex-presidente da estatal, relatou ter sido “achacado” por Bendine para pagar a propina.

Um ano antes, Bendine já teria solicitado, por meio do operador André Gustavo Vieira, o pagamento de R$ 17 milhões de propina na época em que comandou o Banco do Brasil (2009-2015), para viabilizar a rolagem de dívida de um financiamento da Odebrecht AgroIndustrial.

Na ocasião, os executivos negaram a solicitação, segundo relataram ao Ministério Público, por acharem que Bendine não tinha capacidade de influenciar no contrato. A situação “mudou de figura” quando ele assumiu a Petrobras, segundo Marcelo Odebrecht.

Os R$ 3 milhões teriam sido pagos em espécie, em três parcelas de R$ 1 milhão, num apartamento em São Paulo, que era alugado pelo irmão de André Gustavo, Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior -também preso nesta quinta (27). Os valores foram entregues pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, entre junho e julho de 2015.

Os dois operadores firmaram um contrato de fachada de consultoria com a empreiteira, segundo a Procuradoria, para justificar os pagamentos. A PF ainda investiga se os dois irmãos operavam para outros agentes públicos ou políticos.

Sua empresa de consultoria também emitiu uma nota para o frigorífico J&F Investimentos, da família Batista, no valor de R$ 2,1 milhões -sobre a qual também pesa a suspeita de lavagem de dinheiro.

Segundo o Ministério Público, a delação premiada dos executivos da Odebrecht foi o “ponto de partida” das investigações, que foram corroboradas com a análise de ligações telefônicas, cartões de crédito e colheita de comunicações ocultas por aplicativos de celular que eram destruídas em tempo pré-determinado para apagar os vestígios de crimes, bem como exame de anotações que apontam para pagamentos de despesas de hospedagem em favor de familiares de Bendine.

O OUTRO LADO

Em nota, o advogado Pierpaolo Bottini, que defende Bendine, considerou desnecessária a prisão de seu cliente e disse que o ex-diretor, desde o início das investigações, forneceu dados fiscais e bancários e “se colocou à disposição, (…) demonstrando a licitude de suas at

Já a defesa de André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Jr., suspeitos de serem operadores do executivo, afirmou à Folha de S. Paulo que eles foram procurados pela Odebrecht e que prestaram serviços à empresa.

(Com informações Folha de S. Paulo/Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo)

Matéria publicada em 27/07/2017



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