R$ 30 mi, ingressos e encontros artistas internacionais. Só para não ser interrogado em CPI | Cenário do Tocantins, Notícias, Política, Economia, Agronegócio
Palmas-TO 19/10/2019
R$ 30 mi, ingressos e encontros artistas internacionais. Só para não ser interrogado em CPI

 

Empresário, que era do ramo de entretenimento, dava ingressos de show como U2 e marcava encontros com artistas internacionais para agradar políticos

Empresário, que era do ramo de entretenimento, dava ingressos de show como U2 e marcava encontros com artistas internacionais para agradar políticos

O empresário Adir Assad afirmou nesta quarta-feira (9) que empreiteiras pagaram propina para “matar” a CPI do Cachoeira, em 2012, quando seu nome surgiu pela primeira vez como o responsável por gerar dinheiro vivo para a Delta Construções para repasses a políticos.

Assad prestou dois depoimentos ao juiz Marcelo Bretas em processos sobre a geração de “caixa dois” para a Delta e para a Andrade Gutierrez, neste último caso para pagamento de propina a dirigentes da Eletronuclear.

“Gerei R$ 1,7 bilhão de propina”, afirmou ele a Bretas. Ele citou o PSDB e o PT como alguns dos partidos destinatários dos recursos, sem contudo especificar todos os políticos que receberam –citou apenas o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB). Afirmou ainda que trabalhou com “todas as grandes empreiteiras”, citando Odebrecht, Mendes Junior, Camargo Correa, Queiroz Galvão e Galvão Engenharia.

Assad disse que a Andrade Gutierrez pagou R$ 30 milhões em propina para que ele não fosse questionado de forma contundente na CPI do Cachoeira, em 2012. De acordo com o empresário, a informação foi dada por Flávio Barra, ex-executivo da empreiteira, ao seu irmão Samir Assad.

“Ele deve ter passado o chapéu com outras empreiteiras. Cheguei lá, todos os deputados estavam no celular, para não fazer perguntas. Parece que fui lá fazer uma palestra”, disse Assad.

Foi a primeira vez que o empresário confessou os crimes de que é acusado. Ele é réu em quatro ações penais e nos dois primeiros depoimentos que prestou, ao juiz Sergio Moro, permaneceu calado.

Adir e o irmão, Samir Assad, e Marcello Abbud, outro acusado, trocaram de advogado pouco antes da audiência. O advogado Miguel Pereira Neto deixou a causa e foi substituído por Pedro Andrade, que negocia delação premiada do trio. Eles se comprometeram na audiência a entregar documentos que auxiliem nas investigações.

DELTA

Assad afirmou que a exposição de seu relacionamento com a Delta passou a provocar preocupação nas outras empreiteiras.

“Estavam dando um tiro numa formiga e vão achar um elefante. Quando aparecesse o Assad, todas as grandes iriam para o jogo. Se tivesse a coragem de falar lá atrás…”, disse ele ao magistrado.

Com atuação no ramo de entretenimento, tendo viabilizado shows de artistas internacionais no país, tais como U2, Beyoncé, Shakira, entre outros, Assad diz que não sabe a partir de quando se tornou um vilão para ingressar no mundo da corrupção.

“Não sei quando deixei de ser mocinho para virar criminoso. […] Queríamos ganhar mais dinheiro”, declarou.

‘DINHEIRO VIVO’

Utilizando uma rede de empresas de fachada, subcontratadas pelas empreiteiras, o grupo gerava dinheiro vivo para ser distribuído aos políticos que atuavam para beneficiá-los em licitações, obras, e outras coisas mais.

“Por causa do relacionamento com os bancos, tínhamos facilidade de pegar dinheiro na boca do caixa”, disse Assad.

O empresário disse que não sabe listar todos os agentes públicos que receberam propina. Mas disse que era sabido que o dinheiro vivo tinha como propósito corrupção. “O Brasil inteiro sabe.”

De acordo Assad, sua empresa de entretenimento sempre precisou de dinheiro vivo para pagar seguranças, garçom, e outros funcionários contratados para os eventos, o que ajudou a não levantar suspeitas nas instituições financeiras.

“O discurso era muito maior nos bancos. Dizia para o gerente que ia deixar tanto dinheiro aplicado, comprar consórcio de carro, tudo quanto era produto do banco. Eu tinha recursos, mas precisava em cash”, disse o empresário.

Assad relatou ainda que, em muitos casos, oferecia ingressos e até mesmo encontro com os artistas internacionais para se aproximar de pessoas consideradas importantes para o esquema. (Folha S. Paulo/Foto: Fabio Motta-Estadão)

Matéria publicada em 09/08/2017



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